Parágrafo inspirado pelo texto "Para além do corpo cravado de likes: a revolução deve ser lúdica!"


De maneira geral, a maioria dos grandes inventos tecnológicos que se configuram como revolucionários, o fazem pois tocam em algum ponto da essência humana, de modo a se popularizarem intensamente. Assim ocorreu, por exemplo, com a luz elétrica, ao tanger o típico anseio por dominação da natureza– posto que nega a dualidade dia-noite – e com a religião, que surge como um alívio para a curiosidade sobre o desconhecido– o campo metafísico e a origem do mundo. Não é diferente com o advento das mídias digitais, as quais tocam intimamente na necessidade por aprovação social, característica significativa e investigada por grandes psicólogos humanistas, como Abraham Maslow (1943). Dessa forma, o recurso dos likes nas redes sociais acaba por potencializar essa forte necessidade humana por reconhecimento e, assim, faz com que a sociedade, no geral, se torne dependente dessas mídias. Bem como qualquer outro vício, a compulsão digital, ainda mais por ser aceita social e legalmente, deve ser combatida com delicadeza, como “uma superação lúdica da tecnologia” (CABRAL FILHO, José dos Campos- Para além do corpo cravado de likes: a revolução deverá ser lúdica!). Nessa questão, portanto, reside o grande desafio do século XXI: lidar com a linha tênue entre utilizar os recursos cibernéticos para dominar as barreiras espaciais, temporais e de informação ou acabar por ser dominado pela própria tecnologia.


Bárbara Hoffmann, 21.08.2019

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